PROJECTO DE COOPERAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO: SAÚDE PARA TODOS EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Ahmed Zaky
IMVF
azaky@imvf.org

O Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), Organização Não Governamental de Desenvolvimento, centra a sua intervenção nos países de língua portuguesa e assume como missão a promoção do desenvolvimento humano sustentável. Desenvolve, desde 1988, um amplo programa de intervenção, em São Tomé e Príncipe, no domínio da Saúde, e tem empreendido, ao longo dos últimos anos, uma estratégia de capacitação e desenvolvimento incontornável no apoio às autoridades locais.

Após 20 anos de intervenção tem-se observado a transformação de um Sistema Nacional de Saúde centralizado, disfuncional e ineficaz, num sistema de prestação de cuidados de saúde preventivos, primários e especializados, universal e funcional: a intervenção tem consolidado a introdução de um pacote integrado de serviços que abrange, actualmente, uma rede de 30 unidades de saúde por todo o país. Destacam-se os mais recentes dados nacionais: o aumento da esperança média de vida, de 61 para 68 anos, entre 1990 e 2009; a quase total cobertura de cuidados de saúde materno-infantil em 2010; o aumento do número de consultas médicas: de 61.000, em 2008, para mais de 136.000 em 2010; ou ainda a diminuição da incidência da malária de 22,7%, em 2005, para 2,2%, em 2009.

Recentemente, tornou-se clara a necessidade de criar uma estrutura mais dinâmica e flexível que facilitasse o contacto entre médicos portugueses e são-tomenses. A Telemedicina, solução encontrada para reforçar a intervenção, trata-se de uma ferramenta de formação e-learning e de follow-up, um canal aberto que aproxima o Hospital Central de São Tomé e Príncipe e médicos especialistas portugueses permitindo uma comunicação áudio e vídeo em tempo real e o registo e arquivo da informação clínica para consulta em diferido. Através do sistema de Telemedicina é possível gerir melhor o processo de evacuações sanitárias para Portugal, sendo que as características e benefícios do sistema permitem um maior acompanhamento à distância e assistência técnica especializada em tempo real, com precisão de imagem e som, tornando em muitos casos desnecessária a deslocação do doente – será de referir que entre 2010 e 2011 o número de evacuações diminuiu em cerca de 50%. Foram realizados, entre Março e Dezembro de 2011, cerca de 9.000 exames das diversas especialidades médicas – estando os mesmos disponíveis para consulta em diferido – e cerca de 150 sessões de consultas em directo.

A metodologia adoptada baseia-se numa análise meticulosa das reais necessidades e potencialidades dos parceiros locais e do país, compreendendo o constante acompanhamento e análise da evolução do perfil epidemiológico nacional e a evolução dos indicadores de saúde nacionais. A estratégia de intervenção está, desde o seu início, em constante consonância com as políticas e estratégias São-tomenses no domínio da Saúde bem como em sintonia com as melhores práticas internacionais. São Tomé e Príncipe destaca-se, actualmente, como um dos países de África Subsaariana com indicadores de saúde bastante superiores à média da região, estando previsto que alcance, até 2015, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com a Saúde.

Keywords: São Tomé e Príncipe, Cooperação para o Desenvolvimento, Saúde, Telemedicina

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