AS CIDADES DE SÃO TOMÉ E DE SANTO ANTÓNIO, ATÉ AOS SÉCULOS XIX E XX –  ARQUITECTURA E URBANISMO

José Manuel Fernandes

Faculdade de Arquitectura
Universidade Técnica de Lisboa

jmfernandesarq@yahoo.com

Os dois núcleos urbanos do arquipélago de São Tomé e Príncipe tiveram crescimento lento, desde as respectivas fundações proto-quinhentistas. Do ponto de vista urbanístico, seguiram e mantiveram ao longo dos séculos XVI a XVIII um padrão tradicional, dentro do modelo da cidade de origem portuguesa da fase medievo-renascentista.

O aglomerado inicial da cidade de São Tomé deve ter prosperado assente quer nos engenhos de açúcar, quer nas actividades portuárias e de tráfico. O singelo núcleo central cedo se definiu, estruturado nas edificações de suporte das essenciais funções civis e religiosas (Torre do Capitão, depois possivelmente originando o actual Palácio do Governo; igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça, sucessivamente reconstruída, a poente da torre, e junto à ribeira; e a igreja e hospital da Misericórdia, entre a torre e a baía).

Podem mencionar-se, dentre os edifícios e monumentos da cidade mais representativos dos séculos XVI a XVIII, algumas igrejas e capelas, bem como fortificações. Porém, dado o acidentado processo histórico da ilha, a maior parte destas obras ou entrou em ruína ou foi reconstruído, perdendo em muitos casos, o carácter e o estilo e desenho originais.
Os edifícios principais da cidade reflectiam no século XIX a sua singeleza urbana: a Sé, com se disse, era um modesto edifício de frontão triangular, ladeado por duas torres, em meados do séc.XIX, conjunto formal que terá perdurado até aos anos 1950 – quando a fachada foi remodelada, sendo as torres alteadas. As outras igrejas e as fortalezas da cidade datavam de épocas anteriores, como se referiu atrás. As arquitecturas mais correntes, de habitação e de lojas comerciais, tipificavam-se no modelo dominante, apresentando dois pisos e avarandados cobertos e corridos, sobre a fachada – os quais ainda hoje são visíveis nos quarteirões da área mais central da urbe.
Na cidade, e edificadas olhando sobretudo a suave baía de Ana Chaves, encontram-se algumas arquitecturas representativas de Novecentos, desde obras do Modernismo características dos anos 1930-40 em Portugal, à Arquitectura Moderna dos anos 1950-60. Mas a dominante é a dos edifícios tradicionais, sucessivamente alterados e modernizados.

A povoação de Santo António do Príncipe apresenta ainda hoje um traçado regular (talvez com origem numa provável reforma urbana da época pombalina), com uma retícula que inclui: uma pequena praça, central (com a câmara e a torre da antiga igreja matriz); a rua do Rosário, ligada à praça no sentido sul-norte (com a igreja do Rosário no extremo sul); e ainda uma outra praça ajardinada, a norte, junto ao mar).

Palavras-chave: Cidade de São Tomé, Arquitecturas séculos XVI, XVII e XVIII, Arquitecturas século XIX, Arquitecturas século XX, Cidade de Santo António do Príncipe

Biography note: Nasceu em Lisboa, Portugal, em 1953. Arquitecto licenciado pela Escola de Belas Artes de Lisboa em 1977. Professor, Doutorado em 1993, Catedrático (2010) em História da Arquitectura e do Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica, Lisboa. Membro do Conselho Editorial da revista Monumentos desde 1994. Primeiro Presidente do DOCOMOMO Ibérico, 1993-97. Conferencista convidado no Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa, e seu Director no período 1998/2000. Director do Instituto de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura em 2001/2003. Investiga, escreve e publica regularmente sobre temas de História, Arquitectura e Urbanismo. Coordenador da área da África Sub-sahariana no estudo “Património de Origem Portuguesa no Mundo – Arquitectura e Urbanismo” (coord. de José Mattoso, Fundação Calouste Gulbenkian, 2010-2011).


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