EVOLUÇÃO DO PAPEL DAS MULHERES NAS ROÇAS DE SÃO TOMÉ

 
Maria Prats Ferret

Departament de Geografia
Universitat Autònoma de Barcelona

maria.prats@uab.cat

 
Este trabalho tem como objetivo estudar as mudanças na vida diária e no trabalho das mulheres nas roças de São Tomé e Príncipe durante o século XX. Estas mudanças sociais e de gênero nas plantações têm sido menos estudadas que outros aspectos relacionados com a vida política do arquipélago. Para estudar esta questão são utilizadas principalmente fontes secundárias, complementadas por fontes de arquivos e trabalhos de campo da autora em São Tomé.

A data  de 1875 é significativa na história de São Tomé e Príncipe, sendo a data em que foi abolida a escravidão. Isso deu origem a sucessivas crises de mão de obra que as ilhas têm sofrido, assim como a um período de trabalho forçado não muito diferente quanto às condições de trabalho. A situação das condições de trabalho nas plantações e a hostilidade da população para com o trabalho agrícola continuaram ao longo do século XX, mesmo na era pós-colonial, que reproduziu os métodos de gestão e organização do trabalho das fases anteriores.

Neste contexto, estou interessada em analisar a evolução da estrutura da população por sexos e em particular a evolução do papel e a participação das mulheres na agricultura das roças. O desequilíbrio na proporção da população por sexos tem sido uma constante na história do povoamento de São Tomé e Príncipe. A partir de meados do século XX essa desproporção diminuiu como resultado do menor fluxo de imigração, predominantemente do sexo masculino. Este desenvolvimento não reflete o que acontece com o trabalho nas plantações, onde pode ser observada uma tendência para a feminização. As condições de vida foram se deteriorando e os homens migram para a cidade ou para o exterior.

Em segundo lugar temos a intenção de explorar as condições de vida e de trabalho das mulheres. A divisão do trabalho por sexos é um dos aspectos da vida nas roças que tem mais continuidades ao longo do tempo. Não existem argumentos sólidos para além da tradição, mais muitas tarefas são claramente definidas e atribuídas a homens e mulheres, como mostram as histórias de testemunhas, relatórios e documentos gráficos. As diferenças salariais entre homens e mulheres, bem estabelecida inicialmente, e mais tarde teoricamente inexistentes, também é observada repetidamente ao longo do tempo. Várias razões concorrem para justificar isso. É com base nas tarefas atribuídas aos sexos,  assim como outros aspectos do papel cuidador e reproductor que desenvolvem as mulheres e das relaçoes de poder no mundo das roças.

Olhando para o futuro da investigação, pretende-se comparar esta evolução com a situação atual e desenvolvimentos mais recentes neste importante sector da economia e da vida de São Tomé e Príncipe.

Keywords: Agricultura, Roças, Mulheres, Gênero

Biography note: Doutoramento  em Geografia Humana, 1997. Professora de Análise Geográfica Regional, Departamento de Geografia da Universitat Autònoma de Barcelona. Membro do Grupo de Pesquisa sobre Género e Geografia (http://geografia.uab.es/genere/). Tem participado em projectos de investigação e publicou artigos sobre vários tópicos. Seus principais tópicos de pesquisa são: Usos do tempo na cidade; geografias das crianças e da juventude; espaços públicos; identidade e sentido de lugar; mulheres e desenvolvimento; estudos africanos. Morou em São Tomé e Príncipe desde 1989 até 1991, onde trabalhou no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.