A REPATRIAÇÃO DOS “ANGOLAS” – OS PRIMEIROS ANOS (1912-1914)

 

Maciel Santos
CEAUP – Centro de Estudos Africanos
Universidade do Porto

maciel999@yahoo.com

Na década imediatamente anterior à I Guerra Mundial, o consumo do cacau cresceu intensamente nos países industrializados, tornando-se um alimento integrante da dieta das classes médias e trabalhadoras. O comércio desta mercadoria tornou-se deste modo susceptível de lucros acima da média e ocasionou, como seria de esperar, tentativas de cartelização, até porque a relação entre produtores e vendedores de cacau tinha entrado numa fase de concentração. Três territórios, entre os quais se contava a colónia portuguesa de S. Tomé e Príncipe, concentravam a produção e um grande mercado redistribuidor – Hamburgo – controlava a distribuição.

Foi neste contexto que se desenvolveu a famosa questão internacional do “slave cocoa”, cujo objectivo era alterar o recrutamento de trabalho para as plantações de S. Tomé e Príncipe. Ao contrário do que pretendiam os roceiros portugueses, esta campanha começou afastada dos interesses cacaueiros: partiu de grupos de pressão filantrópicos ingleses, estava associada à politica partidária britânica e a Grã-Bretanha não era o principal comprador do cacau português. Em 1912, a campanha centrava-se na questão do repatriamento dos trabalhadores de Angola, que na sua maioria tinham sido comprados como escravos.

Há no entanto, relações objectivas entre vários dos fenómenos que tocavam o cacau de S. Tomé e os seus trabalhadores. O objectivo desta comunicação é apresentar alguns desenvolvimentos até agora pouco articulados entre si: as estatísticas da repatriação, as tentativas internacionais de cartelização e o consequente aproveitamento da evolução interna e internacional pelo lobby cacaueiro portugueses.

Keywords: trabalho forçado; cartel; S. Tomé e Príncipe

Biography note:
Graus Académicos: Doutoramento em História Moderna e Contemporânea – FLUP – 2000; Mestrado em História Moderna e Contemporânea – FLUP – 1987; Licenciatura em História – FLUP – 1982.
Principal área de investigação no âmbito do CEAUP: História Economica; Historia Colonial
Funções: coordenador da Unidade I & D; director da revista “AFricana Studia”
Grupo de investigação no âmbito do CEAUP: Trabalho Forçado Africano

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