GAGO COUTINHO E OS TRABALHOS DE CAMPO EM SÃO TOMÉ

Rui Miguel da Costa Pinto
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo
rcostapinto@netcabo.pt

 
Procuraremos demonstrar a importância dos trabalhos realizados na delimitação de fronteiras coloniais e de geodesia em São Tomé e Príncipe e de como os seus resultados, fruto de uma intensa observação astronómica, conduziram à retificação da linha do equador.

A Missão Geodésica de S. Tomé e Príncipe que se estendeu de Setembro de 1915 a Maio de 1918 teve como objetivo proceder ao levantamento de cartas, na escala 1/25.000, das ilhas de S. Tomé e Príncipe.

A sua permanência na Ilha de S. Tomé possibilitou um melhor conhecimento da realidade nas roças adivinhando-se alguma perturbação junto dos seus proprietários por uma eventual alteração no traçado dos limites das mesmas.

O trabalho de Gago Coutinho possibilitou a modificação e correção de alguns instrumentos de campo junto de fabricantes estrangeiros proporcionando, em futuros trabalhos de campo, maior precisão nos cálculos.

O relatório entregue em 1919 e publicado em 1920 foi considerado o mais completo trabalho de geodesia produzido até então, com projeção internacional.

O seu trabalho seria reconhecido anos mais tarde com a colocação de um marco comemorativo no ponto mais alto de São Tomé.

Palavras-chave: Gago Coutinho, fronteiras, São Tomé, geodesia

Biography note: Rui Miguel da Costa Pinto nascido em 1962 é Professor e Formador de Professores. Licenciou-se em História (Variante em História da Arte) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1986 e fez o curso de mestrado em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a Dissertação “Sobre a presença dos portugueses na Costa Oriental Africana (1640-1668)” em 1994.
Entregou recentemente a sua Tese de Doutoramento intitulada “Gago Coutinho (1869-1959), geógrafo e historiador. Uma biografia científica” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Publicou livros e dezenas de artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras. É Membro efectivo da Academia da Marinha, Investigador do Centro de História da FLUL, Presidente da Secção de História da Sociedade de Geografia de Lisboa, Membro do Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão, Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e Vice-presidente da Comissão de Estudos Olisiponenses da Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Foi Comissário Científico e organizador de diversos eventos científicos. Colaborou em variados colóquios nacionais e internacionais, cujas conferências estão publicadas nas respectivas actas.