OS CONSTRANGIMENTOS DA ECONOMIA DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE NO PERÍODO PÓS-COLONIAL

Armindo de Ceita do Espírito Santo
CESA / ISEG-UTL
Direcção de Finanças de Lisboa – Serviço de Inspecção Tributária

asceita@dgci.min-financas.pt

O presente artigo aborda, em termos breves, os constrangimentos de ordem sociocultural e institucional ao desenvolvimento de S. Tomé e Príncipe no período pós-independência, os quais são geradores de rupturas e importantes bloqueios ao seu processo de desenvolvimento e de redução da pobreza.

O texto começa por indagar sobre o ambiente social em que se estruturaram os valores culturais dos forros são-tomenses no período colonial, de maneira a compreender os factores culturais que parecem dificultar o processo de desenvolvimento de S. Tomé e Príncipe no período pós-independência.

Por outro lado, o artigo procurará discutir, muito brevemente, o efeito da ruptura social que ocorreu no séc. XIX, com o regresso de europeus ao arquipélago, e que conduziu à despromoção social da elite forra que governava o arquipélago e a consequente perda da sua identidade cultural, no processo de desenvolvimento de S. Tomé e Príncipe no período pós-independência. No fundo, pretende-se questionar por que razão a nova elite forra, que emergiu na sequência do processo da independência e que comanda os destinos do país, não foi capaz, até hoje, de promover o seu desenvolvimento sustentável no período mais recente. Adoptando antes um comportamento neopatrimonialista e lutas constantes entre os elementos da elite política pelo acesso ao poder para acumulação de riqueza pessoal o que inviabiliza a busca de consensos para definir uma linha de rumo para orientar o desenvolvimento do país com vista à redução da pobreza das pessoas. Um tal ambiente constituiu oportunidade para o florescimento do empresariado informal da área urbana cujos agentes lutam pela sobrevivência, inventando formas de vida, de maneira à escapar de uma condição de pobreza ainda mais deprimente.

Este trabalho é elaborado tomando em consideração o caso de Cabo Verde que, no período pós-independência, apresenta um relativo avanço em termos de desenvolvimento em relação a S. Tomé e Príncipe.

Keywords: desenvolvimento, empresário informal, ambiento cultural

Biography note: Doutor de Economia – ISCTE/IUL, membro do CESA/ISCTE-IUL

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