A CULTURA DE ESCRITA NO QUOTIDIANO AFRICANO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE NA FASE COLONIAL TARDIA

Frank-Ulrich Seiler
Investigador independente. Lisboa
frank-ul.seiler@hotmail.de

Integrada na área dos estudos sobre a escrita, esta comunicação é parte de uma investigação, ainda em fase inicial, que pretende dar um modesto contributo para a “biblioteca africana” de São Tomé e Príncipe. Trata-se de uma tentativa de se aproximar da cultura de escrita alfabética no quadro da vida quotidiana africana nos anos finais do colonialismo português, em STP.

Ao longo dos tempos coloniais e ainda depois, a escrita alfabética constitui um elemento central no discurso colonial da alegada superioridade ocidental em termos culturais, entre outros. Este funda-se na invenção da inferioridade cognitivo-intelectual africana. O pós-guerra suscita uma forte resposta africana a esta presunção que refuta as suas asserções, mostrando as bases ideológicas e, num teor afro-nacionalista, valoriza e defende os modos orais e simbólicos de comunicação como formas características africanas.

Na nossa abordagem partimos dum conceito de cultura de escrita amplo que enquadra o ambiente discursivo, as instituições políticas, religiosas e socioculturais e os agentes sociais, sendo estes “literati” ou não. Dirigimos a investigação à compreensão dos diversos elementos constituintes dessa cultura, i.e., os seus atores, os suportes materiais e imateriais, a sua organização e interação social com os demais modos culturais de comunicação.

Encontramo-nos numa fase histórica que, por um lado, se carateriza por uma tentativa de modernização do sistema colonial em STP, com o seu impacto pesado nas condições da população africana, i.e., as camadas da sociedade afro-crioula, urbana ou rural, como também os trabalhadores forçados africanos, sobretudo nas roças, estes oriundos de longínquas paragens em África. Por outro lado, as ideias anticoloniais do continente africano e de outros sítios têm as suas repercussões também nos estratos sociais africanos em STP o que se manifesta no seu quotidiano de diversas maneiras.

É neste contexto comunicacional e histórico, em que procuramos entender qual o significado da escrita alfabética na evolução comunal e individual dos agentes africanos e o seu impacto em STP colonial.

Keywords: São Tomé & Príncipe, colonialismo tardio português, cultura de escrita, quotidiano africano

Biography note: Mestre em Ciências da Educação, Docente universitário free-lance de “Biblioterapia” e “Modos de comunicação nas comunidades africanas da Diáspora” e investigador independente, actualmente a preparar um doutoramento.

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