São Tomé e Príncipe: um olhar endoexógeno a partir da literatura

Lola Geraldes Xavier
Escola Superior de Educação de Coimbra
lola@esec.pt

Pretende-se com esta comunicação estabelecer o paralelo entre textos literários e a realidade são-tomense. Para isso, basear-nos-emos nos textos de Albertino Bragança, político e escritor são-tomense. Na sua prosa, através de estórias do quotidiano detetam-se panoramas socioculturais de um país que vive o entrecruzar entre modernidade e tradição, bem como a coabitação entre o tradicional africano e as influências ocidentais.

A escrita deste autor apela indiretamente à preservação da memória coletiva, num diálogo polifónico entre literatura, história, sociedade, cultura e, claro, língua. O último livro do autor, saído em São Tomé, em Junho de 2011, Aurélia de Vento, vem precisamente, como diz o autor numa entrevista ao stomenet.com, colocar a ênfase na convivência entre os costumes e a modernidade: «Com este livro tentei trazer as nossas raízes, encontrar também muitos dos nossos medos, as nossas superstições. Não obstante estar de acordo com elas as trouxe ao público, para que pudéssemos refletir sobre as mesmas e chegarmos a consenso».

Para além da visão endógena a partir da escrita de Albertino Bragança, analisaremos a perspetiva exógena, que é a perspetiva do viajante. Tomaremos como exemplo Miguel Sousa Tavares, num dos textos de Sul. A escolha desta obra portuguesa deve-se ao facto de estar nas listas do Plano Nacional da Leitura (PNL) e, por isso, poder ser um texto usado em sala de aula com alunos de português do ensino básico (8º ano). Deste modo, focaremos a possibilidade de abordagem destes textos no ensino formal em Portugal, uma vez que os novos Programas de Português (homologados em 2009) introduzem o estudo de autores lusófonos no ensino básico.

Mais do que aspetos literários, importa-nos destacar nesta comunicação a relação da literatura com a história, sociedade, língua e cultura, a partir de visões distintas, que são a visão de dentro e a visão de fora, nomeadamente a visão são-tomense, por um lado, e a visão eurocêntrica, por outro.

Keywords: Albertino Bragança, ficção, sociedade, história

Biography note: Lola Geraldes Xavier é doutorada em Literatura (Comparada de Língua Portuguesa), pela Universidade de Aveiro; é mestre em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; tem pós-graduação em Literaturas e Culturas Africanas e da Diáspora; é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Publicou O Discurso da Ironia em Literaturas de Língua Portuguesa, Deleitar e Instruir: a Dramaturgia de Almeida Garrett e co-organizou um volume dedicado aos estudos de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa: LARANJEIRA, Pires, SIMÕES, Maria João, XAVIER, Lola Geraldes (org.), Cinco Povos Cinco Nações. Tem publicado vários artigos em revistas científicas nacionais e internacionais e apresentado comunicações em vários Congressos nas áreas de Literatura Portuguesa, Literatura Comparada, Literatura Brasileira, Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Didáctica da Literatura e da Língua. É docente da área científica de Língua Portuguesa e diretora do curso de Educação Básica, na Escola Superior de Educação de Coimbra.

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