DJAMBI. O UNIVERSO TERAPÊUTICO TRADICIONAL EM SÃO TOME E PRÍNCIPE. CONVERGENCIAS BANTU E PARTICULARIDADES INSULARES

Simão Souindoula
Consultor do Centro Internacional das Civilizações Bantu
Luanda, Angola
souindoulasimao@yahoo.fr

Arquipélago descoberto, inabitado, em 1471, e que recebeu, invariavelmente, ate em plena metade do século XX, o essencial da sua população do actual território angolana, São Tome e Príncipe  resenta, pelo este facto, uma configuracao civilizacional, parcialmente bantu, que se cristalizou, naturalmente, numa dinâmica de crioulização.

A ancoragem bantu e as características propriamente ílias são atestadas, nomeadamente, nas práticas curativas tradicionais.

E, assim que, a fixação terminológica e a cobertura antropológica relativa aos cuidados mostra  similitudes com as do continente, sobretudo, na sua parte central, oriental e austral, com os seus ngoma, djambi, puita, semba, micondo, bambi ou mbapi.

A evolução histórica permitiu de fixar, concomitantemente, neste domínio, diversos créolismos tais como paga deve, santo d’awa, stlafassa, molo kentxi e a evocação, preventiva, dos espíritos dos antepassados em “capelinhas” domésticas de raiz, sincrética, bantu – crista.

Componente substancial dos conhecimentos tradicionais do arquipélago, este universo terapêutico constitui um dos facies, ilustrando, perfeitamente, uma das identidades da insularidade bantu.

Keywords: medicina tradicional, bantuismos, creolismos

Biography note: Antigo investigador no Centro Internacional das Civilizacoes Bantu, e autor de centenas de artigos e comunicações cientificas, de milhares de notas de imprensa, resenhas e co-autor de uma dezena de obras relativas a diversos aspectos da evolução proto-histórica e histórica, das realidades antropológicas e linguísticas, assim como as ligadas as expressões artísticas (artes visuais, musica) de África Bantu e da sua diáspora.
– Assessor Principal no Ministério angolano da Cultura
– Membro do Comité Cientifico Internacional do Projecto da UNESCO “A Rota do Escravo”